25/05/2018

PSL aposta em ‘efeito Enéas’ para aumentar bancada

O PSL aposta no “efeito Enéas” para aumentar a bancada federal. Com menos de dez segundos na propaganda eleitoral, se não fechar alianças, o partido de Jair Bolsonaro deve usar como bordão o sobrenome do presidenciável na televisão para pedir voto na legenda e alavancar os votos para a Câmara e Assembleias.

Sem nomes fortes para disputar os governos estaduais, o partido centrará esforços nas eleições para as bancadas federal e estaduais, apoiado na popularidade de Bolsonaro. Em São Paulo, Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do pré-candidato à Presidência, deve ser o puxador de votos, ao disputar um novo mandato. A meta da legenda no Estado é conseguir dois milhões de votos para a Câmara e passar de dois deputados federais para cinco eleitos.

Para o presidente do PSL de São Paulo, deputado Major Olímpio, Eduardo Bolsonaro pode ser o novo “Enéas” nesta eleição. “Se tudo der ‘errado’ ele deve ter 500 mil votos falando em Bolsonaro. Se tudo der certo, pode ser um dos mais votados, como foi Enéas e Russomanno”, afirma Olímpio. Em 2014, Eduardo foi eleito pelo PSC com 82,2 mil votos.

Tido como exemplo para o PSL, Enéas Carneiro foi eleito como o deputado federal mais bem votado do país em 2002, com 1,5 milhão de votos, e puxou mais cinco correligionários para a bancada – um deles teve apenas 275 votos. Antes de 2002, Enéas havia disputado três vezes a Presidência pelo Prona, partido com pouquíssimo tempo de televisão e sem estrutura nos Estados como o PSL, e ganhou popularidade ao usar os poucos segundos que tinha na televisão para repetir o bordão “meu nome é Enéas”. O deputado federal Celso Russomanno (PRB), também citado pelo presidente do PSL-SP, recebeu 1,5 milhão de votos em 2014 e elegeu outros quatro deputados.

O PSL não prevê candidaturas competitivas para o governo do Estado nem mesmo em importantes colégios eleitorais. Em São Paulo, por exemplo, o partido já cogitou a advogada Janaina Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, e agora estuda lançar o empresário Luiz Philippe de Orleans e Bragança, descendente da família real brasileira. Há dez dias, a jornalista Joice Hasselman lançou-se ao governo do Estado sem apoio do partido nem de Eduardo Bolsonaro e é ameaçada de expulsão da legenda pelo diretório paulista.

Já a disputa para a Câmara e Assembleia no Estado está melhor estruturada e terá forte presença de policiais e militares. Entre os candidatos estão 3 militares das Forças Armadas da ativa (2 tenentes e 1 capitão); 2 da reserva (1 general e 1 capitão); 30 policiais militares, civis e bombeiros da ativa e 3 policiais civis aposentados. Na televisão, pedirão o voto na legenda e se mostrarão como representantes de Bolsonaro.

O presidente do diretório paulista pretende se candidatar ao Senado e tem como uma de suas bandeiras o ataque ao ex-governador e presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB). “Não sou adversário de Alckmin. Sou inimigo. Represento o amargor que os policiais sentem por ele em São Paulo”, diz. Major Olímpio é um dos formuladores das propostas de segurança de Bolsonaro e tem feito críticas à gestão do tucano na área.

No plano nacional, diz Major Olímpio, os planos do PSL terão maior dificuldade para se concretizar. Segundo o presidente do partido em São Paulo, a ideia é passar dos atuais 8 deputados para 40.

A campanha de Bolsonaro deve ficar concentrada na internet. O presidenciável não pretende participar da maior parte dos debates na televisão e uma das estratégias estudadas pelo partido é de o pré-candidato fazer um pronunciamento nas redes sociais no mesmo horário. Com nove segundos no horário eleitoral, o PSL não pretende contratar um marqueteiro conhecido. A ideia é aumentar o número de vídeos gravados pelo celular em que aparece em uma situação cotidiana, falando com seus eleitores. Um exemplo citado por Major Olímpio é o vídeo divulgado no Facebook de Bolsonaro na semana passada, gravado enquanto cortava o cabelo e que teve 1,5 milhão de visualizações.

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