JORNAL GCN de Franca entrevista Major Olimpio com exclusividade:

15/07/2018 – Reportagem de Edson Arantes

‘O bandido e a quadrilha armaram a ‘teresa’ para fugir’
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Foto de: Edson Arantes/Comércio da Franca
Ele já brigou com o então governador Geraldo Alckmin (PSDB) por causa dos salários dos servidores públicos estaduais, da morte de policiais e da falta de segurança nas escolas. Afirma que o traficante Marcinho VP vai processar a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, por compará-lo ao ex-presidente Lula. Defende que a metade de deputados e senadores deveria estar na cadeia.

Na última segunda-feira, protocolou na Procuradoria Geral da República pedidos de afastamento do desembargador Rogério Favreto, que tentou soltar Lula da cadeia, do TRF-4 (Tribunal Regional Federal 4ª Região.

Sérgio Olímpio Gomes, 56, integrou os quadros da Polícia Militar por 29 anos. Fez cursos de segurança em Israel e na Espanha. Cursou ciências jurídicas e sociais, educação física e pós-graduação em comunicação social. É autor de três livros.

Em 2006, Major Olímpio tornou-se deputado estadual e cumpriu dois mandatos na Assembleia Legislativa. É deputado federal pelo PSL, o partido de Jair Bolsonaro. Na sexta-feira, ele veio a Franca e falou com exclusividade ao Comércio.

O senhor é chamado de ‘polêmico’, ‘estridente’ ou ‘brigão’. Como se define?

Fico feliz por todas estas maneiras que sou definido. Enquanto não me chamarem de corrupto, mensaleiro, as demais definições servem como uma injeção de ânimo. Me chamam de polêmico porque eu sou autêntico. Para a conjuntura política brasileira, eu sou um péssimo político. Não faço um discurso na tribuna e vou fazer acordo de bastidores. Não aceito vantagem nenhuma de forma nenhuma. Ninguém consegue me comprar com cargos ou emendas parlamentares. Acabo pagando o preço disto. No ano passado, eu disse que o Temer teve um comportamento de ladrão e que não podia continuar como presidente. Meu partido, o Solidariedade, fez uma acordo com ele e me tiraram da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Fui avisado pela Rede Globo que não estava mais na CCJ. Quando eu estava no PDT e o partido fechou questão, que a Dilma não fez nada, que ela era um anjo e que tinha que continuar como presidente, eu disse: não, ela tem que ser “impichada”. Quando dizem que sou encrenqueiro, me sinto em sintonia com o cidadão que está indignado com a corrupção. Me deram o mandato e eu me sinto na obrigação de falar pela maioria da população. Quando fui lá naquela farsa da posse do Lula na Casa Civil, que a Dilma estava fazendo, o mundo acompanhou que eu não aguentei. Comecei a gritar que aquilo era uma vergonha. Hoje, as pessoas concordam com o que eu disse. Eu tinha a obrigação de fazer aquilo enquanto deputado. Tem muita gente que me aprova e tem muita gente que odeia. A cada dia, levanto com ânimo de buscar mais aprovação aos meus atos e, também, me sinto na obrigação de alimentar mais as pessoas que odeiam por este comportamento. Na segunda-feira, a primeira coisa que fiz foi apresentar três representações contra o desembargador que tentou soltar o Lula no domingo.

Como o senhor avalia o comportamento do desembargador Rogério Favreto?

Ele foi militante petista durante 20 anos, foi secretário na prefeitura de Porto Alegre na gestão do Tarso Genro, que é do PT. Depois, o Tarso virou ministro e o Favreto foi trabalhar com ele em Brasília. Em 2006, ele doou R$ 60 mil para a campanha do Paulo Teixeira, um dos deputados que entraram com o pedido de soltura do Lula. O que eles fizeram no domingo foi uma safadeza. Ele não é magistrado e entrou para o Tribunal nomeado pela Dilma por meio do quinto constitucional. Temos que mudar no País o processo de escolha dos juízes dos tribunais superiores. Dos 11 ministros do Supremo, apenas três são juízes originariamente. Os critérios se tornaram meramente políticos. Quer ser juiz? Entre na carreira de magistrado. Cada macaco no seu galho. Eu disse no plenário da Câmara: “O bandido e a quadrilha armaram a teresa (corda feita com lençol na cadeia para o preso fugir) certinho. Só não contaram que do outro lado estava a polícia para dizer volta para dentro”. O buraco moral para as instituições públicas não está afeto só aos Poderes Executivo e Legislativo não. Também afeta a Justiça. A lei não se aplica muito a quem está do lado do poder. Foi uma tentativa podre, nojenta. O desembargador desrespeitou a Justiça. O cara que furtou ali na rua é muito menos pernicioso para a sociedade do que um desembargador que toma uma atitude desta desmoralizando a Justiça para colocar um criminoso na rua. Fui lá e fiz a representação contra a conduta dele e pedi a suspensão do exercício da magistratura dele. Não tem que passar a mão na cabeça dele não.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, reclamou que o traficante Marcinho VP pode dar entrevista na cadeia enquanto o Lula foi proibido. O que o senhor achou desta declaração?

Falei no plenário: “Cuidado Gleisi, o Marcinho VP vai te processar por compará-lo ao Lula, ele não vai aceitar isto. Ele só é traficante, matador e líder de facção. Não vai aceitar ser comparado com o criminoso Lula, não. Isso é desmoralizante para ele. Este negócio de pedir para o Lula participar de sabatinas eleitorais, quando se tem absoluta certeza de que ele não poderá participar das eleições, é mais deboche com a sociedade brasileira, é um tapa na cara do cidadão. Na Lei da Ficha Limpa está escrito expressamente que quem tem condenação em segunda instância não pode disputar eleição. O marginal Lula tem que cumprir uma pena. O Lula, a quadrilha, os “esquerdopatas” que o acompanham estão há muito tempo debochando da sociedade brasileira. Eles tinha certeza absoluta que eram imunes a tudo. Agora, há este inconformismo por terem prendido o Lula. Eu já falei no plenário para o pessoal do PT que eles não perdem por esperar. Vai ter cela e grade para todo mundo. Na Câmara, temos 130 deputados processados, deveria ter mais. No Senado, são 32, mas a metade deveria estar na cadeia. Queria perguntar aos advogados do Lula quanto eles estão cobrando, de fato, para fazer estas defesas. Eles não se mexem para qualquer ato por menos de R$ 10 milhões. Nos bastidores de Brasília dizem que o Sepúlveda Pertence está recebendo R$ 50 milhões para orientar a defesa. De onde vem este dinheiro?

O senhor é pré-candidato a senador, mas a revista Veja informou durante a semana que, por conta de um desentendimento entre o Jair Bolsonaro e o João Doria, é possível que o senhor se candidate a governador. Qual cargo irá disputar?

Tenho me preparado muito para tentar uma vaga para o Senado. No momento em que o líder maior do meu partido, Jair Bolsonaro, me cita como uma possibilidade de sair candidato a governador, é gratificante para mim. Não descarto. Neste exército de voluntários da pátria do Bolsonaro, eu sou o soldado dele em São Paulo. Vou fazer o que o meu comandante me determinar que faça. O meu desejo pessoal é disputar o Senado. Acredito que tenho uma tarefa muito grande no Senado em função da necessidade, num eventual governo Bolsonaro, de ter alguém lá estridente, briguento e que não faça acordos. É preciso ter uma voz de força para se contrapor à política convencional. Sou um soldado pronto para a guerra e farei o que for melhor para o nosso exército. Nosso projeto maior, sem dúvida nenhuma, é a eleição do Bolsonaro no primeiro turno. Ele é um fenômeno. O Bolsonaro é a última esperança da população.