O Globo destaca denúncia de Major Olimpio sobre resgate de presos

Promotor diz que facção criminosa planejava tomar cidade para resgatar presos em São Paulo

Transferência de lideranças do crime organizado para presídios federais pode acontecer a qualquer momento
Presídio de Presidente Venceslau Foto: Edson Lopes Jr / Governo de São Paulo
Presídio de Presidente Venceslau Foto: Edson Lopes Jr / Governo de São Paulo
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RIO E SÃO PAULO — Duas dezenas de lideranças da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) podem ser transferidos para presídios federais a qualquer momento depois que um audacioso plano de fuga, que incluiria o uso de explosivos e a tomada de uma cidade, ser descoberto para retirar da cadeia criminosos que cumprem pena no presídio de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. As informações trocadas por membros da facção sobre o plano foram interceptadas em setembro deste ano e mostram uma ação sofisticada. Os bandidos planejavam atacar quartéis, unidades policiais e fechar o município para evitar uma reação policial.

Pelo menos 250 militares de elite das forças de segurança de São Paulo foram deslocados para Presidente Venceslau. Um dos principais responsáveis por investigar o PCC, o promotor Lincoln Gakiya afirmou nesta quarta-feira que há um “risco iminente” de resgate de chefes da quadrilha.

— Há um risco iminente (de resgate) em Presidente Venceslau — afirmou Gakiya ao GLOBO.

Na penitenciária estão algumas das principais lideranças do PCC, como Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

— A cidade virou uma praça de guerra. O governo mandou cerca de 250 policiais das forças de elite. A cidade tem cerca de 35 mil habitantes. O plano descoberto de fuga em massa é real — afirmou o promotor.

A possibilidade de resgate de Marcola e outros chefes do PCC ficou em evidência no início do mês, depois que o deputado federal e senador eleito Major Olímpio (PSL-SP) enviou um ofício para Exército e Aeronáutica alertando para a possibilidade de que um suposto grupo de mercenários internacionais estaria planejando o resgate de presos em Presidente Venceslau.

Em outro ofício enviado ao procurador-geral de Justiça de São Paulo, Gianpaolo Smanio, na terça-feira, Major Olimpio diz ter informações de que “forças paramilitares iranianas, nigerianas e membros das FARC teriam sido contratadas para a empreitada criminosa”.  Oficialmente, as polícias e o governo do estado de São Paulo negam a existência do plano.

A situação ficou mais crítica depois que policiais identificaram, na noite de segunda-feira o sobrevoo de drones sobre a penitenciária da cidade. A polícia não conseguiu apreender os dispositivos e investiga quem os estaria operando.

Nesta terça-feira, o governador de São Paulo, Márcio França (PSB), passou a tarde reunido com os secretários de Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, e de Administração Penitenciária, Lourival Gomes. Segundo o governo, porém, o encontro foi apenas uma reunião de rotina. Nenhum secretário deu declarações à imprensa após o encontro.

Líderes de outras facções criminosas brasileiras, como o Comando Vermelho, já estão em presídios federais, onde os detentos ficam isolados e tem restrições de visitas e de horários para banho de sol, por exemplo. Ainda assim, a transferência da cúpula do PCC para um presídio federal divide opinião de investigadores do crime organizado e autoridades de segurança pública em São Paulo.

Não é a primeira vez que um plano de resgate de Marcola e outros líderes do PCC é interceptado pela polícia. Em abril do ano passado, a PM reforçou o policiamento em Presidente Venceslau, próximo a Presidente Bernardes, após receber informações de que um grupo armado iria explodir muros do presídio e fechar as ruas da cidade com carros blindados para resgatar presos.

Três anos antes, em 2014, uma investigação conjunta das polícias civil e militar com o Ministério Público descobriu um plano para resgatar Marcola que envolvia helicópteros e uma fuga para o Paraguai. Nenhum desses projetos chegou a ser iniciado.